amores expresos, blog da CECÍLIA

Friday, November 30, 2007

O comedor de carpete

Do diário do jornalista Willian L. Shirer, escrito na Europa e principalmente na Berlin ocupada e destruída por Hitler. O livro, chamado Berlin, foi publicado pela primeira vez em 1941, e foi o primeiro livro explícito sobre a marcha da Alemanha à guerra. Best-seller instantâneo. Encontrei uma edição de 2004, em inglês, numa banca na Unter den Linden:

"This morning I noticed something very interesting. I was having breakfest in the garden of the Dreesen Hotel, where Hitler is stopping, when the great man suddenly appeared, strode past me, and went down to the edge of the Rhine to inspect his river yatch, X, one of Germany's leading editors, who secretly despises the regime, nudged me: "Look at his walk!" On inspection it was a very curious walk indeed. In the first place, it was very ladylike. Dainty little steps. In the second place, every few steps he cocked his right shoulder nervously, his left leg snappig up as he did so. I watched him closely as he came back past us. The same nervous tic. He had ugly black patches under his eyes. I think the man is on the edge of a nervous break down. And now I understand the meaning of an expression the party hacks were using when we sat around drinking in the Dreesen last night. They kept talking about the "Teppichfresser", the "carpet-eater". At first I ddn't get it, and then someone explained it in a whisper. They said Hitler has been having some of his nervous crises lately and that in recent days they've taken a strange form. Whenever he goes on a rampage about Benes or the Czechs he flings himself to the floor AND CHEWS THE EDGES OF THE CARPET, hence the Teppichfresser. After seeing him this morning, I believe it."

Wednesday, November 21, 2007

Encontro Natalense de Escritores

Eu, Zuenir Ventura, Luis Fernando Verissimo, Heloisa Buarque de Hollanda, Jaguar, Chacal, Carlos Heitor Cony, Rui Guerra, entre outros, vamos nos encontrar a partir de amanhã no largo da rua Chile, berço da boemia potiguar, para o 2º Encontro Natalense de Escritores - ENE.

Além de lançamentos de livros, debates e performances de artistas locais, a festa também terá muita música, com shows como o de Tom Zé e o da banda Jazz 6 (de Verissimo) no palco no coração do bairro histórico da Ribeira. Movimentando a cidade entre 22 a 24 de novembro, o 2º ENE é uma realização da Prefeitura do Natal, através da Fundação Cultural Capitania das Artes. Veja a programação aqui.

Tuesday, November 20, 2007

Bate-papo UOL

Bate-papo UOL, o maior ponto de encontro online da América Latina

BATE PAPO UOL HOJE

A partir das 15h, tô lá batendo papo sobre o livro.

Jornalista e escritora conversa com os internautas sobre "Lugares que Não Conheço, Pessoas que Nunca Vi". O primeiro romance da colunista do jornal Folha de São Paulo conta a história de uma repórter de televisão que entra em crise ao presenciar uma forte cena para a qual pensava estar preparada e acaba sendo arremessada para uma nova realidade.

Fala que eu te escuto

“Minha mãe era apaixonada por beleza,”, diz uma mulher de uns 60 anos, descontado o botox, a uma amiga de mesma idade e compleição também recauchutada. Estamos em um barzinho numa calçada da Lapa. As duas são interrompidas por um moleque que pede moedas. Ele tem um bicho na mão, que acaricia. É um rato branco. Grande demais para ser um ramster. O segurança do bar o enxota. As senhoras emudecem, pagam a conta e perco a continuação da história.

Toda terça-feira, desde o começo do ano, publico uma coluna na Folha de S. Paulo. A de hoje está aqui.

Saturday, November 17, 2007

O que eles dizem

Têm saído resenhas do meu primeiro livro: Folha, Globo, IstoÉ, um bisu na Trip, outro na (vejam só) revista Quem. A resenha de que mais gostei, só consegui ler duas semanas depois de ter sido publicada. Eu estava num sítio onde não pegava nem telefone nem internet. É a do Prosa & Verso, escrita por Beatriz Resende. Consegui escaneá-la, em três fragmentos. Um quebra-cabeças que postei no Flickr.

Thursday, November 8, 2007

Renata

volto a escrever do mesmo jeito que escrevia em berlim. na mesma máquina, que não usava... bem, desde berlim. isso foi no começo do ano. mal posso aceitar, tanto tempo. fui pra lá insegura, voltei insegura. precisei lançar meu primeiro livro pra superar umas merdas e encarar outras de frente. e ver que era bobagem também. falta de gravidade. apareceu guindaste dos bons pra me ajudar.

blog é ruim por causa disso. sempre existirá uma madrugada ao lado de duas cervejas e uma tela conectada à internet. e a gente escreve. a gente fala como se vocês fossem nossos amigos. eu prefiro achar que são.

o bar embaixo do meu prédio, que me sobe inteiro com vozes e cheiro de fritura e música de merda até o meio da madrugada não é meu amigo. já joguei água neles e jogo de novo. lei que não se cumpre. me emputeço. cheia de trabalho pra entregar. faço tudo e entrego no prazo, porque senão não se paga os bandidos: contador, dentista.

o livro de berlim não é trabalho.

descolei um sítio. um amigo meu disse: é teu. fica lá. falta a chefe dizer que eu posso ir. que já fiz meu trabalho direito. que posso trabalhar de longe e de madrugada, como fiz em berlim, pra entrar mais no meu livro. ela diz sim, semana que vem tô lá.

visitei o lugar na semana passada. muita gente junta, não escrevi uma linha. gente engraçada. coaram café numa meia. uma meia esportiva masculina. por falta de coador apropriado. mas era uma meia limpa. creio. não bebi do café, mas os que precisavam dele para dirigir de volta até são paulo não reclamaram. até por não saberem que se tratava de café coado em meia de marmanjo.

não me venha com higiene. já trabalhei em restaurante. sei o que acontece numa cozinha. caros, baratos, não importa: sempre pegam na sua comida com as mãos sujas.

nem te conto quem lava os copos. nem como.

tive um piripaque de lançamento de livro de estréia, há uns dois meses. qualquer peteleco era vendaval. saí melhor dessa do que entrei: eu nunca tinha olhado aquelas mãos direito, as do guindaste. agora elas me conhecem bem, devo a elas mais que os cumprimentos formais que trocávamos antes.

já viram esses sites que dão significados aos nomes? são a versão online daquelas revistinhas baratas que qualquer banca de jornal tem, para ajudar os pais a escolherem nomes de filhos que "signifiquem" alguma coisa, que talvez atribuam às crianças algo de especial. ou lhes confiram qualquer tipo de força. como "RENASCIMENTO". essas coisas de que qualquer colega cínico contemporâneo não pensa duas vezes antes de fazer graça.

agora saíram as resenhas bacanas sobre o livro, leitor me escreve e diz que recomenda por aí "lugares que não conheço, pessoas que nunca vi". uma professora me escreveu dizendo que vai adotar o romance no colégio. gostei dessa conversa.

volto a escrever na mesma máquina que escrevia em berlim. a outra, a "de casa", teve um problema qualquer. mistifico e acho que é porque essa história tinha que ser escrita neste notebook.

eu preferia não ser tão franca num blog. mas, francamente, pudores de internet não significam mais nada. existem outras coisas mais bem guardadas. e que devem ficar assim, até que saiam os livros.

NOVA YORK É UMA ROÇA

antes de voltar a falar sobre berlim.

Se é verdade que a beleza está nos olhos de quem a enxerga
Vão pentear macaco
Valham-me os clichês da minha terra:
NY é uma roça, o mundo é um ovo e a caravana passa
Tudo ao mesmo tempo agora.

Vitrine pra Sinhozinho Malta, Viúva Porcina, dourado e verde-limão
"Usa cor quem sabe", guincha um pequinês da Park Avenue
Jaqueta ao preço da passagem pra Vegas
Piteira prata de brinde com o estojinho de maquiagem - usa blush quem não tem sol -, Puxar pra cima a meia-calça arrastão
Pruma volta em Union Square e score um skatista
Depois contar às amigas-que-almoçam
Uma história diferente, pra variar
Chianti e Pinot Griggio 8 dólares a taça mais tips
Coleira de cobre, relógio de couro
Sapato de plástico, cerveja light
"Igualzinho à Ilha do Governador!"
Mas aqui
Ninguém quer dois de nada a um real
Baratas do tamanho de ratos, ratos do tamanho de poodles
E beatnika é a vovozinha!